Entrevista com Dino dos Santos, da DSType (completa)


acima, Andrade Pro

acima, Ventura


acima, Leitura Display
A Civilização Ocidental chegou à América diretamente da Peninsula Ibérica. Tipografia em la Red foi até Portugal entrevistar Dino dos Santos, o talentoso e afamado type designer, para falar, entre outras coisas, da importante herança caligráfica portuguesa
Dino dos Santos, criador da foundry DSType, é dono de um trabalho autoral primoroso, que valoriza a escrita caligráfica histórica portuguesa, entre outras referências e produz fontes nas quais fica-se difícil saber onde termina a tipografia e começa o lettering, dado o perfeito equilibrio de suas formas. Entrevistamo-lo, para nosso deleite. (entrevista originalmente publicada na Tipografia en la Red LatinoAmericana de Diseño)

PW
Quando e por que começaste a fazer tipografia?
Comecei a desenhar tipos de letra, porque desde sempre entendi que a tipografia é um elemento fulcral e diferenciador, no trabalho de qualquer designer gráfico. Os meus colegas de curso estavam mais interessados em conseguir imagens diferentes para os seus trabalhos, no fundo, o natural fascínio de quem em 1992 começa a utilizar o Photoshop. No entanto eu estava mais interessado na versatilidade que o texto permitia, quer enquanto elemento de comunicação escrita, quer como elemento que, organizado de um detrminado modo, permitia compôr imagens e ideias que iam para além do próprio conteúdo. No entanto existiam poucos tipos de letra disponíveis e por isso comecei a criar os meus próprios tipos. Com o aparecimento do movimento Grunge, os processos passaram a ser mais acelerados, com a destruição dos tipos existentes e a criação de novos tipos sujos partindo de meros esboços. Quando olho para esses trabalhos dos anos 90, pergunto-me muitas vezes o que é que eu andava a fazer.

PW

por que comenzaste a hacer tipografia?

Comenze a dibujar tipos de letra porque desde siempre entendí que la tipografia es un elemento fulcral y diferenciados en el trabajo de cualquier diseñador gráfico. Mis colegas de curso estaban más interesados en conseguiro imagenes diferentes para sus trabajos, en el fondo por la natural fascinacion de quien comienza en 1992 a utilizar PhotoShop. Entre tanto yo estaba más interesa en la versatilidad que permitia el texto como cualquier elemento de la comunicacion escrita que como elemento organizado de un determinado modo permitia componer imagenes e ideas que iban mas allá de su propio contenido. Entratanto existian muy pocas fuentes disponibles para ello y por ello comenzé a crear mis propios tipos: Con la llegada del movimiento Grunge, los procesos pasaron a se más acelerados con la destrucción de los tipos existentes y la creación de nuevos tipos sucios partiendo de esbozos, cuando miro para estos trabajos en los años 90s me pregunto que era que estaba.

PW
O que mais admiro em seu trabalho é a dobradinha quantidade x qualidade. É dificil produzir tantas e tão boas fontes? Há muitos projetos em andamento?
Já desenhei, de facto, bastantes fontes. A produção tipográfica está sempre dependente de um processo de pesquisa, mais ou menos demorado, e que pelas suas características me levam a desenhar grandes famílias. Mas tudo depende das intenções de cada tipo de letra em particular. A família tipográfica Leitura, por exemplo, exigiu de mim muitos meses de trabalho duro, mas tinha que ser assim, uma família muito completa, com diversas características formais, diversos cortes, porque foi desenhada para um mercado muito específico que é o editorial. No fundo era minha intenção cobrir os diversos aspectos do uso tipográfico em situações de grande profusão de elementos de texto.

Tenho sempre diversos projectos em andamento. Neste caso, novamente para o mercado editorial. São 2 famílias tipográficas, com serif e sem serif, muito extensas e que se encontram numa fase muito delicada, com testes de kerning, impressão em diversos tamanhos e diversas manchas de texto. Do ponto de vista do desenho tipográfico, são muito diferentes da Leitura. Neste caso não pretendo dar a ideia de uma família total, interessa-me muito mais o facto destes novos tipos funcionarem em harmonia, assumindo as suas diferenças elementares.

W: Lo que más admiro de su trabajo es ese doblete entre calidad y cantidad, es dificil producir tantas y tan buenas fuentes. Hay muchos proyectos en proceso?

Ya diseñé de hecho muchas fuentes, la producción tipográfica está siempre dependiente de un proceso de investigación mas o menos demorado, y que, por sus características me llevan a diseñar grandes famílias. Pero todo depende de las intenciones de cada tipo de letra en particular. La família tipográfica Leitura por ejemplo, exigio de mi muchos meses de trabajo duro, pero tiene que ser asi. Una familia muy completa con diversas características formales, diversos cortes, por que fue diseñada para un mercado muy específico que es el editorial: En el fondo mi intención era cubrir los diversos aspectos del uso tipográfico en situaciones de gran profusión de texto.

Tengo siempre diversos proyectos en proceso. En este caso nuevamente para el mercado editorial. Son dos famílias tipográficas con serif e sin serif muy extensas que se encuentran en una fase muy delicada. Con pruebas de Kerning, impresión en diversos tamaños y diversas manchas de texto. Desde el punto de vista del diseño tipográfico son muy diferentes de la lectura. En este caso no pretende da la idea de una familia total, me intresa mucho más el hecho de estos nuevos tipos funcionar en armonía, asumiendo sus diferencias elementales

PW
A facilidade com que se divulgam type specimens digitais hoje em dia não contribui para confundir a obra de um type designer?

De facto os specimens individuais podem fracturar a obra de um designer, tornando-a dispersa. Por outro lado, os tipos de letra em formato OpenType, possuem tantas características (small caps, ligatures, swashes, etc) e tantos caracteres que penso que é adequado um specimen para explicar devidamente a totalidade das suas características particulares. Neste momento o que eu faço é desenhar um specimen para cada um dos novos tipos de letra, embora no final junte toda a informação num único catálogo impresso
PW: La facilidad con que se divulgan nuevas fuentes digitales hoy en día no contribuye para confundir la obra del diseñador tipográfico?
De hecho los especimenes individuales pueden fracturar la obra de un diseñador haciendola dispersa. Por otro lado los tipos de letra en formato OpenType poseen tantas caracterísiticas ( small caps, ligatures, swashes etc) y tantos caracteres que pienso que es adecuado un especimen para explicar debidamente la totalidad de sus caracteriisticas particulares.
En este momento lo que yo hago es diseñar un especimen para uno de los neuvos tipos de leta, aunque al final junte toda la información en un único catálogo impreso.
PW
Como enxergas o cenário da tipografia portuguesa atualmente?
Em Portugal continuamos a conseguir sentar todos os designers tipográficos numa pequena mesa de café, e isso preocupa-me. Por outro lado, o trabalho que é apresentado é vasto e possuiu enorme qualidade e excelente aceitação no mercado internacional. Nesta perspectiva, Portugal, já não é visto como um país periférico no que diz respeito à produção de tipos de letra, nem poderia, dado que os type designers portugueses têm arrecadado inúmeros prémios internacionais. Contudo, penso que vão começar a aparecer type designers portugueses com maior frequência. O desenho de tipos tem exercido algum fascínio na nova geração de designers que acabou, ou está a acabar, os seus cursos.

PW: Como observas el escenario actual de la tipografía portuguesa actual?
En Portugal todavia es posible sentar a todos los diseñadores tipograficos alrededor de una pequeña mesa de café y eso me preocupa. Por otro lado el trabajo que se presenta es muy basto y posee enorme calidad y excelente aceptación en el mercado internacional. En esta perspectiva Portugal, ya no es visto como un país periférico en lo que se refiere a la producción de tipos de letra ni es posible pues los type designers portugueses han ganado muchos premios internacionales, aún así pieso que van a comenzar a aparecer diseñadores de fuentes portugueses con mayor frecuencia. EL diseño de tipos ha ejercido alguna fascinación en el nueva generación de diseñadores que acaba de terminar sus cursos o lo está haciendo.

PW
Ventura é um dos seus mais notáveis trabalhos. No entanto aparentemente não está entre suas dez fontes mais vendidas (conforme lista de MyFonts). Como explica os gostos do mercado?

Já não tento explicar. Acontece, e honestamente, não estou muito preocupado, até porque a Ventura é um tipo muito recente. A Ventura é um tipo que, tal como a Andrade, tem como principal objectivo reavivar o trabalho de alguns dos grandes mestres caligrafos portugueses. As vendas começam a aparecer quando os designers percebem as características individuais de um determinado tipo de letra. Se me perguntassem se acreditava que a Estilo iria ter o sucesso que teve, eu diria que não e ainda assim manteve-se nos best-sellers durante largos meses. Nunca sabemos exactamente o que o consumidor pretende, assim só nos resta trabalhar para que o sucesso aconteça.
PW
Voce pesquisa bastante e faz revivals altamente elaborados e aperfeiçoados, colocando adequadamente sua visão pessoal, aprimorando (e muito) os originais. Portugal é sem duvida um arquivo gigante da história da escrita ocidental, tendo por aí, ao longo dos séculos passado as tradições visigóticos, celtas, a herança caligráfica árabe (foram séculos de dominioo árabe na peninsula) as incrições romanas lapidares… e com gerações de calígrafos desde o tempo da escrita cortesã e processual. Foi natural para voce, este caminho? Afinal, és uma das autoridades no lettering portugues e pesquisas paleografia e diplomatica…
Foi um processo de amadurecimento tipográfico. Faz algum tempo que percebi que a história não tem que obrigatoriamente nos manter presos ao passado e sobretudo, que podemos usar esse passado como intrumento criativo. A história é um processo em aberto e não a morte do processo. Possuo um boa colecção de livros antigos, incunabulos e biblias, desde o século XV, os quais revisito frequentemente. São objecto do meu trabalho diário, não porque me limite a reinterpretar tipos de letra, mas porque é muito importante perceber o que era um tipo de texto no século XVI para percebermos um tipo de letra de texto nos dias de hoje.
Posso ainda adiantar que estou a começar o desenho de um tipo de letra baseado nos caracteres gravados num mosteiro português, que é muito interessante pois é quase todo escrito utilizando ligaturas. Penso que o resultado será um tipo de letra muito datado históricamente, mas também muito contemporâneo e actual.

PW
Que pensarias de um projeto para digitalizar a escrita da Carta de Caminha, que narra o descobrimento do Brasil? Escritas altamente arcaicas deveriam passar por um refinamento contemporaneo, a fim de aumentar sua legibilidade, ou deveriam ser preservadas digitalmente facsimilares?

Para mim existem sempre duas formas distintas de ver o mesmo problema tipográfico. Se por um lado com a Ventura o objectivo foi desenhar uma fonte fiel ao modelo, seguindo os mesmos passo metodológicos do seu autor original, com a Andrade interessou-me mais o carácter especulativo da tipografia. O mesmo poderia acontecer com a Carta de Caminha, refinando determinados caracteres para a tornar uma fonte mais utilizável, mas provavelmente mantendo alguns dos elementos que caracterizam a caligrafia de Pedro Vaz de Caminha. O mais interessante é que podemos os dois, começar a desenhar um tipo partindo do mesmo local, e ainda assim chegar a conclusões diferentes. Este é o fascínio do type design.
PW
Para onde aponta a tipografia nos proximos anos? Voce tem uma visão pessoal do futuro da tipografia?
Não propriamente. Sei com alguma certeza o que penso vir a fazer, mas em relação à tipografia de um modo geral, e olhando à cena internacional, perfiro esperar para ver o que acontece. Espero contudo que de futuro possamos gozar de uma maior aproximação tipográfica entre Portugal e Brasil e mesmo entre toda a latinidade.

Veja suas fontes em MyFonts.Com.

Conheça melhor o trabalho da DSType.
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