Tom Finland, quem foi?



fonte : Wikipedia

Tom of Finland (8 de Maio de 1920 – 7 de Novembro de 1991) foi um artista finlandês conhecido pelo seu trabalho de carácter homoerótico. O nome real de Tom of Finland é Touko Laaksonen, porque ele nasceu no dia oito de Maio de 1920, na costa sul da Finlândia, e Maio, em finlandês, chama-se Toukokuu. Sua pátria se tornou independente apenas três anos após o nascimento de Touko e algumas cidades do país continuavam rústicas e selvagens. Os homens que trabalhavam nos campos e florestas, os fazendeiros e lenhadores, eram homens que carregavam a aspereza e a selvageria do campo. Touko nasceu entre esses homens, mas não era parte deles. Seus pais eram professores de escola e educaram Touko numa atmosfera de arte, literatura e música. Obviamente com talento, aos cinco anos o menino tocava piano e desenhava tiras em quadrinhos. Ele amava a arte, a literatura e a música, mas amava ainda mais aqueles homens rudes. Também aos cinco anos Touko começou a espionar, na vizinhança, um garoto musculoso que trabalhava numa fazenda cujo nome, Urho, significa herói. Urho foi o primeiro de uma série de heróis que tiveram a atenção de Tom enquanto ele memorizava cada flexão dos seus músculos torneados, cada reentrância sensual dos seus lábios. Em 1939 Touko foi para a escola de arte em Helsinki, para estudar propaganda. Sua fascinação se expandiu ao incluir os tipos sensuais da cidade, encontrados no porto cosmopolita: trabalhadores das construções, marinheiros, policiais…. Mas ele nunca se atreveu a fazer nenhuma proposta a eles. Sua vida começou a mudar quando Stálin invadiu a Finlândia e Tom, usando um uniforme de tenente, encontrou o paraíso nos blackouts da Segunda Guerra Mundial. Nas ruas escuras da cidade ele começou a fazer sexo da maneira que havia sonhado: com homens uniformizados cuja luxúria ele veio desenhar mais tarde, especialmente soldados alemães, que chegavam com suas jaquetas e botas irresistíveis. Depois da guerra, Touko voltou a estudar arte e a ter aulas de piano no afamado Instituto Sibelius. Mas a paz veio colocar um fim no sexo do “blackout” e os uniformes se tornaram raros novamente. Então, Touko voltou à sua prática de adolescente, trancando-se nu em seu quarto, masturbando-se e desenhando no papel aqueles que ele gostaria de encontrar nas ruas. Durante o dia ele trabalhava como freelancer com desenho para propaganda e moda. À noite ele tocava piano em festas e cafés, tornando-se assim um membro popular da boemia do pós-guerra de Helsinki. Ele evitava freqüentar a cena gay que despontava na cidade porque aquilo que eles chamavam de bares artísticos era dominado pela homossexualidade extravagante, típico daquela época. Enquanto isso, ele viajava freqüentemente, tornando-se conhecido nos locais gays de cada grande cidade. Em 1953 ele conheceu Veli, com quem viveria os próximos 28 anos, numa esquina a alguns quarteirões da sua casa. No final de 1956 Touko mandou seus desenhos secretos para uma popular revista americana de homens musculosos, tendo o cuidado de usar o pseudônimo Tom. O editor amou e a capa da edição de primavera de 1957 trazia um lenhador sorrindo, desenhado por “Tom of Finland”. Foi uma sensação. Touko se tornou Tom e o resto é história. A demanda pelo que Tom chamava de “desenhos sujos” cresceu rapidamente, mas nem a arte erótica ou a arte homossexual era bem paga nos anos 50. Ele parou de tocar piano para se dedicar à sua arte e só a partir de 1973 conseguiu ganhar dinheiro com seus desenhos e largar o trabalho em propaganda. Uma vez que pôde dedicar seu tempo integral aos desenhos eróticos, Tom combinou detalhes foto-realísticos com suas fantasias sexuais mais selvagens, a fim de produzir um trabalho cheio de homoerotismo, provavelmente nunca antes mostrado. A representação de detalhes, como as botas e as roupas em couro que Tom fez, são excitantes pela sua perfeição. O brilho que esses objetos de fetiche transmitem via papel, desenhados com um simples lápis preto, aguça a fantasia dos observadores, impressionados com a força de seus desenhos. 1973 foi, também, o ano da sua primeira exibição de arte em Hamburgo, na Alemanha, mas essa experiência foi muito negativa (só um de seus trabalhos não foi roubado); somente em 1978 ele concordou em participar de outra exposição, em Los Angeles. Era a primeira vez que viajava para a América. Nos próximos anos, houve uma série de exibições em Los Angeles, San Francisco e Nova York. As viagens para os EUA transformaram o tímido artista de Helsinki numa celebridade gay internacional, com amigos como Etienne e Robert Mapplethorpe. O grande salto na sua carreira deu-se quando o canadense-americano, Durk Dehner, se tornou seu empresário. Em 1981 o amante de Tom, Veli, morreu de câncer na garganta, ao mesmo tempo em que a epidemia de Aids se espalhava por várias cidades. Tom começou a ter mais amigos queridos na América e passava seis meses em Los Angeles, com Durk Dehner, e seis meses em Helsinki. Depois de ter diagnosticado um enfisema em 1978, Tom foi forçado a diminuir as suas viagens, mas continuou a desenhar. Quando a doença e a medicação deixaram sua mão trêmula para executar o detalhado trabalho pelo qual se tornou famoso, Tom voltou à técnica que gostava na infância, usando lápis pastel para executar uma série de nus muito coloridos, até morrer em 7 de novembro de 1991. O trabalho de Tom tem sido considerado muito mais que “desenhos sujos” e tem sido um crédito importante na mudança da auto-imagem do mundo gay. Quando o primeiro trabalho de Tom foi publicado, os homossexuais eram vistos como imitações das mulheres e passavam suas vidas se escondendo nas sombras. Vários anos depois, os gays são muito mais do que corpos queimados ao sol em botas de couro personificando masculinidade. A influência de Tom nessa direção não foi acidental. Desde o começo sua consciência tornou seu trabalho positivo, mostrando uma imagem altamente máscula na fantasia homossexual. Também foi responsável pela divulgação do fetiche pelo couro, traduzido nos uniformes dos soldados e motoqueiros de suas ilustrações. Vemos, em vários de seus trabalhos, homens másculos enormes ajoelhados lambendo botas em couro maravilhosamente lustradas e, por vezes, sendo açoitados com cintas e ou chibatas em suas bundas torneadas. Os rostos perfeitos, com bigodes, bocas e olhares sedutores, nos mostram que esses homens felizes gostam de seus corpos e de fazerem o que fazem, serem homens rústicos, bonitos e muito cruéis. Quando perguntado se não ficava envergonhado ao desenhar homens fazendo sexo, Tom discordava enfaticamente, afirmando: “Eu trabalhei arduamente para ter certeza de que os homens que eu desenho têm orgulho pelo sexo que praticam e estão felizes por fazê-lo!”. Para Tom, vergonha seria reprimir suas fantasias. Fundação e Museu de Arte Erótica Criada em 1986, a Fundação Tom of Finland é uma organização sem fins lucrativos, com a proposta de documentar o trabalho do artista ao longo de seis décadas de arte erótica masculina. Por receber informações e trabalhos de todas as categorias de artistas dedicados à arte erótica e que tiveram seus trabalhos tratados sem seriedade, a fundação expandiu sua proposta ao incluir, em seu projeto, todas as áreas de arte erótica. Hoje, graças ao trabalho de divulgação realizado pela entidade, uma gravação completa com artistas gays e não gays está disponível em discos laser em instituições de arte, colégios, museus e outros arquivos que se utilizem desse material ou trabalhem com obras de referência. Nos planos da fundação está a criação de um Museu de arte erótica homossexual, heterossexual, bissexual, do presente e do passado, primitiva e moderna, contemplando todas as diversidades possíveis, incluindo a “Fetish Art”, todas apresentadas lado a lado, com suas similaridades e diferenças representadas através da sexualidade humana. Haverá também um espaço para encorajar o desenvolvimento de artistas contemporâneos, exibindo seus trabalhos para venda. Esse era um sonho do artista Tom of Finland, ajudar outros artistas, oferecendo a eles um local para mostrar e vender seus trabalhos. Embora a fundação esteja localizada nos Estados Unidos da América, os códigos sociais e morais na América estão forçando seus membros a procurar outros locais, como Amsterdã, na Holanda, para construir o Museu. Tom of Finland foi um homem que esperou mais de trinta anos para ver sua arte reconhecida. A perfeição e a ousadia de seu trabalho são a prova de que Tom nunca desistiu de fazer aquilo em que mais acreditava: mostrar ao mundo que existem formas e formas de prazer. Livros mais conhecidosTom of Finland: The Art of Pleasure, por Micha Ramakers. Taschen Dirty Pictures: Tom of Finland, Masculinity and Homosexuality, por Micha Ramakers. Tom of Finland: The Comic Collection, por Dian Hanson (Editor). Taschen
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