doppelganger, um rascunho…

encontrei entre meus escritos este pequeno rascunho de um texto maior que tencionava trabalhar com mais cuidado, mas que foi sendo sempre relegado. achei, não sei porque cargas d’agua, publica-lo in natura, do jeito que o encontrei, pois afinal, se demorei tanto para melhorá-lo, é possivel ainda que ele nunca seja publicado. pois lá vai
DOPPELGANGER, por Paulo W
QUE os escritores transmitem seus pontos de vista e emoções à suas literaturas e que até mesmo criam personagens a sua imagem e semelhança é inegável. Um possível sentido na passagem bíblica do HOMEM A SUA IMAGEM E SEMELHANCA poderia assim ser explicado. Para os ateus, ou antes, para os pragmáticos, sendo encarada a Bíblia como uma coleção de textos escrita por humanos, teriam lhe imbuído as mesmas características gerais de ficção que os autores contemporâneos, em linhas gerais… Que os estilos e modelos literários parecem ter sempre existido é coisa que se aclareia em cada pesquisa histórica aprofundada sobre o tema. Com base nesta idéia, por exemplo, é que Champollion (lembrar de anexar o documento que tenho de Champollion sobre escritas encontradas no Egito em 1824…) desvendou a escrita cuneiforme. Outro dia li, por exemplo, que certas passagens bíblicas que narram a viagem de Jesus com os pais quando bebê, poderia ter sido fictícia, apenas um modelo narrativo-estetico comum a outros escritos contemporâneos ao nascimento de Jesus. Herodes, por exemplo, nunca matou os primogênitos…
MAS existe ainda uma terceira categoria fantástica de transposição e narrativa entre mentes de gente de carne e osso e literatura. Trata-se da tradição literária do duplo, do doppelganger.
LI em algum lugar que o mito, o folclore do doppelganger, seria originário da Alemanha. Não o sei, embora a palavra seja certamente alemã. Entre os escritores que me vem à memória e que se utilizaram desta temática estão certamente em primeiro lugar Poe, com seu Willian Wilson, que merece um capitulo especial neste estudo, pois ao que parece não apenas tratou do caso do duplo mas verdadeiramente lhe imputou suas próprias características (de uma alma dividida, como de resto todas são) pessoais e históricas, o Frankenstein de Mary Shelley (em certa medida, pois esta obra se da a analises muito plásticas em sua extensão, e futuro verbete aqui), ao Medico e o Monstro, de Stevenson, a Stephen King, valendo-se ai de uma novidade estética: a origem do duplo na projeção de um espírito oriundo de um irmão parasítico extirpado do personagem central de seu romance, e, nas historias em quadrinhos, o Spirit, de Will Eisner também se vê as voltas com uma aventura com um duplo.

IMPORTANTE ressaltar que a idéia de uma pessoa que “é você mas ao mesmo tempo não o é” também se apresenta sob a forma de narrativas e mitos semelhantes através da dualidade dos irmãos. Vemos isso primeiramente em Caim e Abel, em Moises e Ramses, também em Rômulo e Remo e em muitos outros casos da mitologia e literatura, sendo difícil não ver a mesma raiz mitológica nestes casos…

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